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  • 20.08.2019 - 05:33

    PSB, um partido esfacelado pela arrogância, pela prepotência e pela truculência


    Pelas declarações do presidente destituído do PSB, Edvaldo Rosas, não foi apenas o ato propriamente dito de destituí-lo do cargo de forma solerte que chama atenção: também os recursos utilizados, que envolveriam até fraude já que há suspeitas e dúvidas sobre determinadas assinaturas de suplentes convocados repentinamente para assinarem a solicitação de destituição.

    Outro aspecto grave da questão que tem dominado os assuntos nas muitas rodas de conversa sobre política seria a situação interna do PSB, depois da violência cometida contra Rosas. Segundo ele, não interessaria mais presidir um partido rachado, sem unidade contrariando os panos quentes que a deputada Cida Ramos tentou colocar hoje para amenizar o trauma da destituição.

    O governador João Azevedo tem se mantido distante da crise bem ao seu estilo de não desperdiçar energia com discussões estéreis fruto da arrogância e da prepotência de quem visa apenas seus interesses pessoais, mas já existe uma convicção interna a partir das declarações do presidente afastado que confirmam o rompimento e o clima de animosidade entre as diversas alas socialistas.

    O presidente da Assembleia, deputado Adriano Galdino, já criticou a decisão nacional dizendo que Siqueira deixou de ouvir as partes litigantes e optou porum lado, o que elimina qualquer possibilidade de reunião para discutir um assunto que no seu entendimento já foi decidido.

    O deputado Hervázio Bezerra também já se posicionou pelo retorno de Rosas ao comando da legenda, o que seria uma verdadeira desmoralização para o ex-governador.

    Pelas reações até agora manifestadas, não existe real interesse em retomar a legenda, o que abre a possibilidade de uma verdadeira revoada de socialista para outros partidos restando apenas à expectativa para onde deve se dirigir o governador.

    Cria-se ainda o suspense quanto aos socialistas historicamente vinculados ao ex-governador cuja situação de confiabilidade seria quase zero diante dos fatos ocorridos e a permanência nos cargos se tornaria insustentável.

    A expectativa quanto a saída do governador do PSB é grande e muitos admitem que não há mais clima para que João Azevedo permaneça no partido sem perder a autoridade que o cargo exige.

    Na mesma situação o presidente da Assembleia Adriano Galdino cuja afinidade e lealdade ao governador têm sido publica e incondicional e que teria sido um dos alvos da violenta ação de Ricardo Coutinho.

    Nos bastidores, as versões são as mais efervescentes e mirabolantes, versando sobre renúncia coletiva dos que teriam DNA ricardista antecipando as exonerações que estariam por vir.

    Enfim, o clima reforça as declarações de Rosas quanto o que restaria de unidade ao PSB, decididamente um partido esfacelado pela arrogância, pela prepotência e pela truculência.

    Rosas afirma que não deseja presidir um partido rachado, sem unidade

    O presidente destituído do PSB na Paraíba, Edvaldo Rosas, disse, nesta segunda-feira (19), que embora tenha apoio da maioria dos diretorianos, além de deputados, prefeitos e vereadores para continuar na presidência, não vai recorrer do ato da direção nacional que dissolveu o Diretório Estadual porque o movimento partiu “de forma inexplicável e surpreendente” de seus próprios companheiros e companheiras de partido.

    “Poderíamos ganhar tanto na justiça quanto em uma eleição, mas o custo disso seria muito alto para todos. Não me interessa ser presidente de todo jeito, de um partido agora dividido, sem unidade interna. Estava à frente do PSB porque tenho história na legenda, fui eleito e tinha um mandato a cumprir. Mas se querem dissolver o Diretório sem qualquer justificativa e num processo intervencionista, não farei cavalo de batalha; fiquem com o partido. Sabendo que pegarão uma legenda estruturada em mais de 200 municípios”, desabafou Edvaldo Rosas.

     

    Ele informou ainda que em nenhum momento foi procurado por qualquer dirigente ou membro do partido com a proposta para o ex-governador Ricardo Coutinho assumir a presidência do PSB antes do final de seu mandato, previsto para novembro de 2020.

    Ele questionou também a forma como se deu o processo de intervenção. “Muitas pessoas que assinaram a lista pela dissolução retiraram seus nomes quando souberam o real motivo e isso não foi levado em consideração, como também a conferência das assinaturas e o fato de suplentes estarem votando pelos titulares do diretório”, informou.

    Edvaldo também lamentou a decisão do presidente nacional que só ouviu uma das partes e decretou a dissolução do diretório. “Depois que ele tomou tal atitude e sentiu a reação negativa de seu ato nos chamou para uma reunião em Brasília. Deveria ter feito isso antes, até porque o fato alegado para eu deixar o comando do PSB é um absurdo, já que diversos dirigentes estaduais ocupam cargos públicos em seus estados,  a exemplo de Pernambuco, terra do próprio presidente nacional do PSB”, complementou. 

    Lelo Cavalcante/jampanews