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  • 06.11.2014 - 04:28

    No Senado, Aécio volta a criticar proposta de diálogo de Dilma

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     No primeiro discurso na tribuna do Senado desde as eleições, o senador Aécio Neves (PSDB-MG), candidato derrotado à Presidência, voltou a criticar nesta quarta-feira (5) a proposta da presidente Dilma Rousseff (PT) por diálogo. "Os que foram intolerantes durante 12 anos falam agora em diálogo", disse.

    "É preciso que o diálogo ocorra, mas não se dá com gestos, mas com propostas concretas. A prática desse governo não foi a da mão estendida."

    Após ser reeleita, Dilma disse em discurso que seu segundo mandato seria marcado pelo diálogo

    Segundo o tucano, qualquer diálogo com a presidente deve estar condicionado à investigação das pessoas envolvidas no "maior escândalo de corrupção" do país, em referência à Petrobras.

    Ele citou ainda que terá compromisso com a liberdade, a transparência e a democracia. "Três compromissos fundamentais vão orientar a nossa luta: o compromisso com a liberdade, com a transparência e com a democracia. A defesa intransigente das liberdades, em especial a liberdade de imprensa."

    O senador mineiro fez várias críticas à maneira como Dilma conduziu a campanha em que foi reeleita. "No geral, aquilo a que se assistiu foi uma campanha baseada no estímulo ao ódio, um projeto amesquinhado e subordinado ao marketing do medo e da ameaça. Tentaram, a todo custo, dividir o país ao meio: entre pobres e ricos, entre Nordeste e Sudeste, como se este não fosse o nosso mais valioso patrimônio: um só povo, um só país."

    "Dizem que a minha candidatura representou o machismo, o racismo, o preconceito, a intolerância, a nostalgia da ditadura militar. Esses atributos que jogam sobre mim eles jogam sobre 51 milhões de homens e mulheres que são atacados pelo PT nesse instante. Nossa campanha respeitou os limites da ética e defendeu a democracia em todos os instantes. Nós não somos isso que querem fazer crer", reagiu.

    Mais cedo, durante reunião da Executiva do PSDB e de aliados, Aécio disse ainda que "o diabo se envergonharia" da campanha do PT.

    Em reunião com aliados no Planalto, Dilma disse hoje, sem citar nomes, que a oposição "precisa saber perder" e deixar de ter "ressentimento".

     

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    No discurso de mais de 30 minutos na tribuna do Senado, Aécio disse que houve nas eleições uma "disputa desigual", com uso do aparato estatal pelo governo, e voltou a se apresentar como uma alternativa na defesa de um estado mais moderno e eficaz.

    Oposição intransigente

    Em sua fala, o senador reafirmou seu papel como líder da oposição ao PT. "Ainda que por uma pequena margem o desejo da maioria dos brasileiros foi que nos mantivéssemos na oposição. E é isso que faremos. Com o ânimo redobrado. É isso que faremos conectados com o sentimento de metade do país. Faremos uma oposição incansável, inquebrantável, intransigente na defesa dos brasileiros. Vamos fiscalizar, vamos acompanhar, vamos cobrar, vamos denunciar. Vamos combater sem tréguas a corrupção."

    O ex-presidenciável já anunciou que votará contra o decreto da presidente Dilma para regulamentar os conselhos de participação popular. "O decreto dos conselhos populares, enviado ao Congresso sem qualquer discussão prévia, deverá ter aqui no Senado o mesmo fim que teve na Câmara -- ou seja, o arquivo. Defendo, como sempre defendi, a ampliação das consultas populares, mas isso tem que ser feito em diálogo permanente com os representantes do povo brasileiro, e eles estão aqui, no Congresso Nacional".

    Como já havia feito nesta terça, Aécio ressaltou que sua candidatura deixou de ser apenas "de um partido político", para se tornar um movimento maior, que pode ser sentido mesmo depois das eleições nas ruas e nas redes sociais. Segundo ele, os brasileiros não toleram mais a corrupção e a ineficiência que caracterizam o atual governo.

    Aécio mencionou a candidata derrotada do PSB à Presidência, Marina Silva, e o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, morto em agosto, além de outros políticos de que recebeu apoio no segundo turno.

    Ao final, disse que seu trabalho "não terminou". "Nossa travessia não terminou, nós não vamos nos dispersar. A cada brasileiro e a cada brasileira que foi às ruas, que vestiu as cores da nossa bandeira, que enfrentou as calúnias e constrangimentos de um exército pago nas redes sociais, que, com alegria e esperança, defendeu a mudança, a ética e a união dos brasileiros; a cada um de vocês, digo, em nome dos nossos companheiros de oposição: agora e a cada dia dos próximos anos, estaremos presentes."

    O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), saiu em defesa da presidente após o discurso de Aécio. Para o parlamentar, tanto a campanha presidenciais do PT e quanto a do PSDB fizeram ataques aos adversários. "A presidente Dilma foi vítima também de agressões violentíssimas que não são apenas dessa campanha, são de quatro anos. No Brasil talvez apenas Getúlio Vargas e João Goulart foram submetidos a esse cerco", declarou.

    O petista também citou uma reportagem publicada pela revista "Veja" antes do segundo turno que associava a presidente aos escândalos de corrupção na Petrobras e pediu diálogo com a oposição. "É preciso desmontarmos os palanques. A oposição precisa ter a visão clara que há muita coisa que deveríamos trabalhar em conjunto. O ódio está permitindo que alguns façam a defesa da ditadura militar, façam a defesa da secessão do Brasil, [pois] não foi só o Nordeste que votou na presidente", afirmou Costa.

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