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07.10.2026 - 09:45
Maria Porto conquista cadeira na Assembleia Legislativa com votação expressiva
Maria Porto, a mais jovem parlamentar da ALPB
Com 50.463 votos, jovem advogada chega à Assembleia Legislativa e transforma a força familiar e regional em uma das maiores votações da eleição para a ALPB
A expressão “Maria Passa na Frente” une duas grandes devoções católicas brasileiras: a oração popular “Maria, passa na frente” (pedindo a intercessão da Mãe de Jesus para abrir caminhos e resolver problemas) e a passagem bíblica de Gênesis 3:15, que retrata a vitória do bem sobre o mal, simbolizada por Maria esmagando a cabeça da serpente
O trocadilho com a conhecida oração “Maria Passa na Frente” ganha, depois das urnas de 2026, um novo sentido na política paraibana. Aos 33 anos, Maria Luiza Porto Bezerra Cavalcanti, a Maria Porto, pediu a intercessão da Mãe de Jesus e saiu das ruas e dos municípios do Brejo paraibano diretamente para a Assembleia Legislativa da Paraíba, eleita com 50.463 votos pelo União Brasil, passando na frente de políticos tarimbados que há décadas disputam os votos dos paraibanos.
Mas o resultado não foi apenas a conquista de um mandato. Maria chega à Casa Epitácio Pessoa com uma votação que a colocou entre os oito candidatos que ultrapassaram a marca de 50 mil votos na disputa proporcional. Para uma estreante na Assembleia, o número dá dimensão do tamanho da votação obtida.
E há um componente regional evidente nessa trajetória. O Brejo foi uma das bases fundamentais da campanha, região onde Maria construiu sua atuação política ao lado do marido, o prefeito de Bananeiras, Mateus Bezerra. Durante a campanha, mobilizações em Bananeiras e em outros municípios do Brejo reuniram apoiadores e deram à candidatura uma identidade fortemente vinculada à região.
Porto: três gerações de uma história
A nova deputada estadual pertence a uma família com longa presença na vida pública, jurídica e institucional da Paraíba. É filha do desembargador José Ricardo Porto, integrante e próximo presidente do Tribunal de Justiça da Paraíba, e da procuradora de Justiça Maria Salete de Araújo Melo Porto, que chegou ao topo da carreira no Ministério Público da Paraíba após décadas de atuação como promotora.
Pelo lado paterno, Maria é neta de Sílvio Porto, personagem histórico da política e do Direito paraibano. Ex-prefeito de Guarabira, ex-deputado estadual e homem de trajetória ligada à magistratura e à advocacia, Sílvio Porto exerceu quatro mandatos na Assembleia Legislativa, além de ter ocupado outras funções públicas.

A história, portanto, atravessa três gerações: Sílvio Porto, José Ricardo Porto e agora Maria Porto.
Mas há uma diferença importante entre a herança familiar e a construção de uma trajetória própria. Como escreveu o próprio José Ricardo Porto às vésperas da eleição da filha, a história de Maria começou antes dela, mas chegou o momento em que passou a ser construída pelos próprios passos da jovem.
A advogada que entrou na política
Maria Porto é advogada e também está concluindo o curso de Medicina. Aos 33 anos, chega à Assembleia como uma das novas caras da próxima legislatura, que começa em 2027.
Sua eleição também representa uma mudança de ambiente. Até aqui, sua presença pública estava muito ligada à condição de primeira-dama de Bananeiras e à atuação ao lado de Mateus Bezerra. Agora, a partir de 2027, será ela quem ocupará uma cadeira própria no Legislativo estadual.
O sobrenome abre portas, mas a urna estabelece outra medida: votos.
E foram 50.463 deles.
O Brejo colocou Maria à frente

O resultado ajuda a explicar a força política que a candidatura adquiriu ao longo da campanha.
Bananeiras foi o “porto” seguro dela, se transformando em uma espécie de ponto de partida da caminhada eleitoral. De lá, a candidatura avançou por municípios do Brejo e ampliou sua presença para outras regiões da Paraíba.
A campanha foi marcada por atos públicos e mobilizações que mostraram a capacidade de articulação do grupo político ligado ao prefeito Mateus Bezerra. Em agosto, uma mobilização pelas ruas de Bananeiras reuniu apoiadores de diversos municípios da região e deu o tom da caminhada eleitoral.
No fim, a conta fechou em mais de 50 mil votos.
Maria não apenas conquistou uma cadeira. Passou à frente de uma série de nomes tradicionais e chegou à Assembleia com uma votação que chama atenção pela combinação entre juventude, estreia eleitoral e força regional.
O sobrenome Porto ganha um novo capítulo
A eleição também produz uma coincidência histórica.
Sílvio Porto fez sua trajetória política em Guarabira e chegou a ocupar uma cadeira na Assembleia Legislativa. Décadas depois, a neta chega à mesma Casa, agora por meio de uma eleição marcada por uma votação expressiva.
O pai, José Ricardo Porto, construiu sua carreira na magistratura e atualmente é desembargador do TJPB. Ele deverá assumir a Presidência da Corte no biênio 2027/2028. A escolha formal será realizada pelo Tribunal em sessão marcada para o próximo dia 14 de outubro.

A mãe, Maria Salete, também consolidou sua trajetória no sistema de Justiça e, em março deste ano, tomou posse como procuradora de Justiça do Ministério Público da Paraíba.
E Maria escolheu outro caminho: o voto popular.
É aí que a história familiar encontra a política eleitoral.
Maria passou à frente
Aos poucos, o nome Maria Porto deixou de ser apenas associado a uma família tradicional do Direito paraibano, ao prefeito de Bananeiras ou à história política dos Porto.
As urnas deram a ela uma identidade própria.
Maria passou à frente.
Passou à frente porque recebeu 50.463 votos. Passou à frente porque transformou a força do Brejo em representação política. E passou à frente porque, a partir de 2027, terá uma tribuna, um mandato e quatro anos para escrever seu próprio capítulo na história da Paraíba.
No imaginário religioso, a frase é conhecida: “Maria passa na frente.”
Na política paraibana de 2026, a frase ganhou uma pequena adaptação.
Maria passou à frente — pelas urnas.
Assessoria com pautapb