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30.08.2019 - 13:20
Maré de azar atrapalha os planos de RC e convocação para Monteiro desaparece nos rastros da caravana petista
O ex-governador Ricardo Coutinho vem numa maré de azar que só a falta da caneta e do diário poderia explicar. Depois da vitória de Pirro obtida com a destituição do presidente do diretório estadual do PSB, Edvaldo Rosas, Ricardo vem acumulando dissabores, que a sua esplendorosa carreira jamais havia experimentado antes.
Diminuído na sua grandeza de líder incontestável a qual se acostumara, Ricardo vem assistindo o desmoronar da sua imagem colocada no altar das divindades políticas pela tacanhez dos oponentes, hoje reconhecidos como tigres de papel ou leões desdentados.
Nesse novo cenário, o ex todo poderoso socialista agora esbarra na solidez técnica de um quase obscuro oponente, ainda noviço nas lides políticas, mas já se mostrando um excelente aprendiz de feiticeiro.
Abalado pela repercussão da violência com que golpeou a democracia, ao destituir de forma solerte o presidente do seu partido, Ricardo precisava de um palanque para retomar o discurso de rebeldia que o caracterizava e que o projetou na política, inclusive no plano federal. Para isso, nada como embarcar na onda da transposição e arrebanhar incautos e crédulos sertanejos, secularmente sedentos de água e de Justiça.
E foi com o discurso da Transposição que o Mago planejou desviar as atenções para o golpe truculento que desferiu no seu próprio partido, mas como a maré não está para peixe, mais uma vez enrolou-se na própria esperteza e viu o site do Partido dos Trabalhadores desmanchar seu discurso e divulgar os reais motivos para a passagem da caravana petista em solo paraibano: a liberdade de Lula.
Na programação estabelecida e divulgada pelos organizadores da caravana petista nenhuma linha sobre transposição, que perdeu vez e força para a situação das queimadas na Amazonia, onde o fogo destroi a floresta e de resto a soberania do país.
Fica evidente que Ricardo tentou pegar carona na manifestação pela liberdade de Lula para arregimentar prefeitos da região, o que pode não acontecer e piorar cada vez mais a situação do ex abandonado pela classe política como ficou demonstrado na coletiva que convocou para Monteiro, dias atrás, quando ficou isolado e desolado numa constatação que o seu poder de influência foi crestado pelas fogueiras de vaidade que acendeu no Poder.
Como bom esgrimista, João Azevedo desviou a estocada e negou-se comparecer ao evento para não ampliar o fosso de desavenças que herdou junto ao Governo Federal: ele aceitou as explicações técnicas dadas pelo Ministério responsável pelas obras da transposição e tirou o cavalinho da chuva deixando o Mago na solidão da calçada, aquela onde não mais existe a caneta e o diário.
Já que ninguém sabe por onde anda Mãe Renilda, aquela mãe de santo que benzia os passos do então prefeito, afastando os despachos e o mau olhado, é possível que as marés de azar e descrédito prossigam atraindo mais desgaste e reveses para o até então bem sucedido homem público, Ricardo Coutinho.
Lelo Cavalcante/Jampanews