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  • 08.08.2019 - 12:39

    Falta de efetivo compromete trabalho da Polícia Militar; Comandante tem que usar a criatividade


    O Governo de João Azevedo vem produzindo um farto material publicitário sobre a sua pasta mais controvertida: a da Segurança Pública, cujos índices de redução são altamente satisfatórios, mas sinalizam para números que já inquietavam a população 10 atrás, quando o ainda candidato Ricardo Coutinho mostrou-se escandalizado e prometeu, solenemente, em seu guia eleitoral, que eles seriam reduzidos, porque insuportáveis e incompatíveis para uma sociedade civilizada principalmente no que dizia respeito aos números de homicídios tão absurdos que colocavam a pacata capital do estado entre as cidades mais violentas do planeta.

    Toda gestão de Ricardo concentrou-se na redução desses números trágicos que chegaram ao seu apogeu por volta de 2015, quando então a curva ascendente começou a declinar e Sua Excelência entregou o governo retornando aos patamares da violência que repudiou ao assumir o Estado dados apresentados por fontes da própria Segurança Publica mostrando que a redução foi da violência produzida por sua gestão. 

    Pirotecnia

    Nos últimos dias, o governador vem aparecendo em sucessivos eventos conduzidos e produzidos pelo comandante geral da Polícia Militar, coronel Euller Chaves, anunciando obras e ações que sinalizam para um mundo de paz como presente de aniversário para uma cidade que completa 434 de história, sendo a terceira mais antiga do país. 

    Os eventos estão sendo revestidos de pompas e de um glamour hollyoodiano que mostra toda habilidade do militar para supervalorizar o pouco que tem e acenar com essa tranquilidade tão almejada por todos.

    A presença do governador empresta caráter oficial ao que está prometendo o coronel: a paz e a serenidade tão sonhadas, porque é tudo isso que está contido nas declarações e nas imagens produzidas com reconhecida competência e qualquer imprevisto que impeça a consumação deste pacote publicitário terá como avalista e parceiro do comandante, o governador.

    Odiento

    O portal tem sido acusado por auxiliares próximos ao governador de nutrir ódio, mágoa e rancor ao coronel Euller, mas o que o Jampanews faz é mostrar aquilo que de fato acontece nas entrelinhas dos acontecimentos comprometido que sempre foi com a verdade dos fatos sem se ater a pessoas e a instituições.

    Por isso vamos aos fatos

    Efetivo

    Em 2000, ainda no Governo José Maranhão, a Polícia Militar já sinalizava para a deficiência de seu efetivo na época algo em torno de 9 a 10 mil homens e uma projeção mostrava que seriam necessários pelo menos 14 mil para atender as necessidades de segurança da população naquele tempo de 20 anos atrás.

    Todo esforço feito daquele momento em diante não se revelou suficiente para atender essa demanda e a instituição continua se debatendo nessa carência e hoje ela teria algo em torno de 8 mil homens e mulheres a se multiplicarem para proteger o cidadão paraibano numa demonstração de compromisso com a sociedade que merece todo reconhecimento.

    Vamos admitir 8 mil homens e mulheres, por questão de repouso, férias e doença,no dia a dia  5 mil estariam nas ruas do estado policiando ostensivamente e preventivamente uma população de mais de 4 milhões de habitantes, segundo o IBGE, num milagre de multiplicação capaz apenas de ser realizado pelo Homem de Nazaré.

    Para as necessidades de segurança do Estado hoje, segundo os especialistas, a Polícia Militar teria que ter algo em torno de 17 mil policiais, mas atua com praticamente a metade numa atividade comparada ao lençol curto que quando cobre os pés descobre a cabeça.

    Realidade

    Essa realidade crua e irrefutável vem sendo sistematicamente ignorada por sucessivos Governos incluído o de agora ao participar de solenidades que prometem um policiamento que a lógica dos números diz não ser possível, mas mesmo assim batalhões são inaugurados, patrulhas as mais espalhafatosas são anunciadas, num festival de embromação e ficção que nos reporta a cidades como Macondo e Sucupira.

    Todo esse espetáculo de pirotecnia com o aval de um simplório governante a engolir pílulas douradas e a considerar críticas como produto do ódio, da mágoa e do rancor.

    Preferindo Ignorar que não se inventa efetivo: efetivo se contrata através de concursos públicos e treinamentos específicos e não com jogadas de marketing onde filmecos são produzidos com objetivos os mais solertes visando à manutenção de cargos e outras vantagens nada republicanas.

    Por toda essa realidade exposta acima, o vídeo produzido pelo Comando da Polícia Militar saudando a inauguração do novo Batalhão de Polícia Motorizado instalado na Epitácio Pessoa principal corredor da capital tem um ranço de inspiração facista pelo conteúdo publicitário voltado para enaltecer, impressionar e distorcer a realidade.

    O batalhão, cujo efetivo foi retirado de pequenas cidades como Sapé, Espirito Santo, Santa Rita e outras da região metropolitana, só vai funcionar até apagar as luzes do espetáculo tão pomposamente conduzido já que, ou fica em João Pessoa e abandona as demais localidades, ou volta às unidades de origem completamente desfalcadas, deixando de atender ao desejo de continuidade do comandante Euller.

    Portanto, o famoso ninho das águias não vai realizar aquilo para o qual foi destinado porque não tem previsão humana para sua consecução: não há efetivo para que o delírio cinematográfico do coronel se realize.

    Quem diz e prova que o batalhão é uma ficção, uma exibição cinematográfica ideal para a sessão da tarde, são os bandidos, pouco impressionados com o ninho das águias paraibanas, ao contrário dos populares que aparecem nas cenas, embevecidos com o aparato da solenidade militar, onde um major apoplético manifesta todo seu empenho e determinação para combater o crime na cidade de Batman, o homem morcego, que devia ter sido convidado juntamente com Robin, como atores coadjuvantes, para dar mais brilho à peça de ficção que o coronel Euller criou e ofereceu de presente aos 434 anos de João Pessoa, e cujo efeito junto ao alvo do oficial - o governador João Azevedo, foi arrasador garantindo com certeza mais quatro anos ao comandante gênio da produção cinematográfica e merecedor da Palma de Ouro.

    Catinga

    Os bandidos sim, esses desalmados, que igual ao Coringa, não dormem nem sossegam, agindo audaciosamente nas barbas do coronel, ignorando motos, helicópteros, autoridades e principalmente contrariando os interesses e objetivos políticos do comandante. Esses bandidos incorrigíveis sequer deixaram as águias pousar no ninho e já assaltam mercadinhos nas vizinhanças do aconchegante e estrategicamente instalado reduto distante uma ladeira (Rui Carneiro/João Câncio) do local da ocorrência, despreocupados com o helicóptero altaneiro, e com as motos potentes e reluzentes cuja exibição pelos arredores do ninho fez a baba escorrer na boca de muita gente e de algumas autoridades como aparece em destaque no vídeo de efeitos estonteantes pelo brilho da produção.

    Porém, de forma prosaica e destituída de planejamento, apensas descendo de precárias motos 125, os bandidos foram chegando e gritando: “mãos para o alto que é um assalto”, e levaram tudo das vítimas, fugindo sem deixar pista às retardatárias aves de rapina do coronel como registrado no noticiário policial.

    Monstrengo

    Como se fosse combinado ainda na região metropolitana palco da ação dos águias do batalhão motorizado, outros desavisados bandidos, desconhecendo tanto aparato de combate as suas atividades criminosas, explodiram um caixa eletrônico no Conde derrubando tudo ao redor: posto de gasolina, restaurante e de quebra a credibilidade do fantasioso batalhão tão cinematograficamente apresentado à cidade e ao crédulo governador ainda capaz de acreditar em historinhas de Trancoso juntamente com alguns dos seus auxiliares mais próximos, que encontram ódio, rancor e mágoa onde só existe senso crítico e dever de desmascarar tudo o que é pirotecnia.

    Enfim, fica claro que não há efetivo para se criar nada na polícia porque não existe mão de obra disponível já que a corporação ainda desenvolve suas atividades com um efetivo apropriado para as necessidades de um estado de 20 anos atrás e que jamais foi revitalizado acompanhando o crescimento e as necessidades da população.

    Para se constatar esse déficit só levantar o efetivo da corporação para se deparar com uma anomalia, uma deformidade. Tomando como base a pirâmide pode-se descobrir que a corporação tem o formato de um monstrengo: estreita na base, com pernas frágeis; grossa no meio, uma barriga grande; e uma cabeça mais disforme ainda, já que o número de praças e oficiais é totalmente desproporcional, existindo na Polícia Militar da Paraíba, proporcionalmente muito mais oficiais que praças, o que dá para qualquer idiota perceber que não tem como inventar batalhão a não ser para ser desfeito assim que abaixar as cortinas.

    Aquele aparato, com ranço de picadeiro, só dura o tempo suficiente para enganar os basbaques, os muitos crédulos, os que acreditam no homem morcego, em super-homem, e outras celebridades das revistinhas de quadrinhos e das superproduções do cinema americano.

    A realidade cruel é a ditada pelos marginais, que continuam incontidos agindo livremente, nas barbas de coronéis e majores, sem dar bolas para qualquer tipo de ninho principalmente de águias, ave que não faz parte do nosso acervo animal e cujo simbolismo refere-se aos irmãos do norte.

    (Jampanews)