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  • 07.04.2015 - 08:14

    Dilma convida Eliseu Padilha para articulação política

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     Brasília - A presidente Dilma Rousseff convidou nesta segunda-feira, 6, o titular da Aviação Civil, Eliseu Padilha (PMDB), para assumir a articulação política do governo, em mais uma tentativa de fechar acordo com o partido aliado para aprovar o ajuste fiscal. A intenção de Dilma é mexer no ministério de modo a contentar tanto os peemedebistas da Câmara quanto os do Senado, onde o Palácio do Planalto mais tem enfrentado dificuldades para aprovar no Congresso as medidas do ajuste fiscal.

    O convite para que Padilha entre no lugar de Pepe Vargas (PT) na Secretaria de Relações Institucionais foi feito após a posse do ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro. Dilma estava ao lado do vice-presidente Michel Temer quando fez a sondagem, sob o argumento de que precisava da “experiência” do peemedebista no Planalto.

    Ex-deputado e ex-ministro dos Transportes de Fernando Henrique Cardoso, Padilha disse que estava “à disposição” do governo, mas nada foi fechado ali. A cúpula do PMDB começou a discutir a troca de cadeiras na noite de ontem, em jantar no Palácio do Jaburu. Dilma vai reunir hoje os líderes aliados na Câmara e no Senado, além dos presidentes de partidos da base, para pedir ajuda na aprovação do pacote. Hoje, PMDB e PT são os que mais têm feito críticas às medidas.

    O novo formato do “núcleo duro” foi planejado pela presidente para acalmar um grupo do PMDB e não mexer no ministro do Turismo, Vinícius Lages, afilhado político do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Desde que Dilma aceitou indicar o ex-presidente da Câmara Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) para o Turismo, Renan ampliou as retaliações ao governo no Congresso.

    A nomeação de Alves para a cadeira de Lages já estava acertada. Agradou ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), mas contrariou Renan, que não quer o afilhado fora da pasta. Agora, se Padilha aceitar tocar a Secretaria de Relações Institucionais, Dilma calcula que terá um problema a menos, pois poderia indicar Alves para a Aviação Civil e não mexeria com Lages – o que, em tese, deixaria Renan sem motivos para se queixar da mudança no ministério. Outra hipótese seria Lages na Aviação Civil e Alves no Turismo. Ambas, porém, ainda dependem de acordo com Renan.

    Lula. A mudança na articulação política do Planalto foi sugerida pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nos últimos dias, preocupado com as novas manifestações contra o governo, previstas para domingo, Lula intensificou a cobrança e disse que, se Dilma não mexer agora nos interlocutores com o Congresso, trilhará um caminho sem volta.

    Na avaliação de Lula, o Senado e a Câmara se transformaram em uma trincheira contra o governo após a Operação Lava Jato. Renan e Cunha acusaram o governo de interferência para que seus nomes constassem da lista de políticos investigados pelo Supremo por suspeita de participação no esquema de desvio de recursos da Petrobrás.

    Padilha sempre resistiu a assumir a cadeira de Pepe Vargas por avaliar que, no atual modelo de articulação, quem manda mesmo é o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante (PT). Dilma, no entanto, garantiu a ele que o PMDB terá autonomia para as negociações com o Congresso. Hoje, o PMDB comanda sete ministérios: Minas e Energia, Turismo, Aviação Civil, Agricultura, Assuntos Estratégicos, Pesca e Portos.

    Um auxiliar de Dilma disse ao Estado, em conversa reservada, que ninguém do Planalto entende a cabeça de Renan porque “em público ele defende a redução de ministérios e, nos bastidores, sempre quer todos os cargos”.

    A força-tarefa para aprovar o ajuste fiscal e as medidas que restringem o acesso a benefícios trabalhistas, como o seguro-desemprego, foram temas de vários encontros, ontem, no Planalto. O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, participou da reunião da coordenação política do governo e disse que faria novas articulações, nesta semana, em busca de apoio. Com o caixa apertado e corte de despesas do Orçamento que pode atingir R$ 80 bilhões, o governo estuda agora uma saída para compensar as perdas dos Estados com a reforma do ICMS.

    MSN