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27.06.2013 - 07:46
BH se despede de teste com morte, terror nas ruas e sopro de futebol
Não foi uma Copa das Confederações como os mineiros sonhavam. Se a vitória brasileira contra o Uruguai por 2 a 1 na semifinal levou um suspiro de futebol a uma sede que recebeu os dois jogos mais inexpressivos, a passagem do torneio pela cidade teve como efeito colateral manifestações que deixaram dezenas de feridos, prejuízos a lojas depredadas em seu entorno e provocaram a morte do jovem Douglas Henrique de Oliveira Souza.
Será impossível recordar a Copa das Confederações na capital mineira e lembrar mais do futebol do que do terror nas ruas nos dias de jogo. As partidas Nigéria x Taiti e Japão x México levaram mais pessoas a manifestações do que ao Mineirão e mesmo o principal jogo foi ofuscado pelo clima de medo que marcou os dias anteriores à semifinal. Mais de 5.500 policiais participaram da operação no dia do duelo e 1500 homens do Exército ficaram de prontidão.
Em uma escalada de violência superior às outras cinco sedes, a onda de manifestações que tomou o Brasil nas últimas semanas atingiu seus momentos mais agudos em Belo Horizonte em dias em que a atenção deveria ficar toda no futebol. O ápice veio justamente no momento de maior festa, com a vitória brasileira no Mineirão, mas com cenário de guerra nas principais vias de acesso.
Assim como no jogo entre México e Japão, ocorreram na quarta-feira depredações principalmente na Avenida Antonio Carlos, mas agravadas por incêndio em concessionárias, saques e pelo registro da primeira morte na onda de protestos na cidade. Douglas Henrique de Oliveira Souza caiu do viaduto José de Alencar em meio ao corre-corre provocado por confronto entre policiais e manifestantes no entorno do Mineirão. Não resistiu aos ferimentos e morreu na noite de quarta-feira.
Protesto termina com confronto e destruição em Belo Horizonte Além das cenas compostas por gás lacrimogêneo, pedradas, bombas caseiras e de efeito moral, sprays de pimenta e balas de borracha, a passagem da Copa das Confederações pela cidade ficará marcada pelos tapumes colocados em lojas da Avenida Antonio Carlos e no centro da cidade, para onde a violência se estendeu nos últimos dois jogos. O cenário de pré-furacão não livrou as lojas de novas depredações e prejuízos depois de Brasil x Uruguai.
A cidade voltará a receber as seleções na Copa do Mundo em 2014. Até lá muita coisa pode acontecer, mas o evento-teste levou problemas à cidade que terão de ser controlados daqui um ano. Com protestos contra os gastos excessivos para a organização dos eventos e mobilização de mais de 50 mil manifestantes em dias de jogo, Belo Horizonte termina a Copa das Confederações como a cidade mais hostil à organização do Mundial.
Prejudicada por fatores externos, a Belo Horizonte é a cidade em que a Copa das Confederações teve menos valia para testar a mobilidade urbana. O primeiro jogo, entre Taiti e Nigéria, teve a presença de pouco mais de 20 mil pessoas. Já Japão x México foi disputado em um sábado em que havia mais de 60 mil manifestantes nas ruas.
Por último, a prefeitura decretou feriado municipal para a quarta-feira de Brasil x Uruguai, o que provocou um menor número de carros nas ruas. Fora isso, o medo de caos pelo protesto que antecedeu a partida provocou uma antecipação considerável no horário de chegada dos torcedores. Por volta das 14h (de Brasília), o entorno do Mineirão já estava cheio.
No meio de toda a confusão entre polícia e manifestantes, o jovem Asafi Ferreira Araújo surgiu com o ingresso na mão e conseguiu furar o bloqueio quando Brasil x Uruguai estava no intervalo. Depois de ser revistado por policiais, ele contou que não conseguiu ônibus para chegar ao Mineirão e marchou no meio do protesto desde as 14h30 (de Brasília) para não perder o jogo.
“Tá muito desorganizado. Ninguém me deu solução de como vir para o estádio”, reclamou depois de se liberado. A meia hora do jogo, com a chegada dos manifestantes, a Polícia Militar fechou o bloqueio da Avenida Antônio Abrahão Caram, principal via de acesso ao Mineirão, inclusive para torcedores.