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  • 27.09.2023 - 08:53

    Vítima de feminicídio foi orientada em delegacia a não envolver polícia contra secretário de Belém


    Rayssa foi assassinada de forma covarde pelo ex-companheiro Rayssa foi assassinada de forma covarde pelo ex-companheiro

    Após registrar boletim de ocorrência em Guarabira, no Agreste da Paraíba, a estudante Rayssa de Sá, vítima de um feminicídio na quinta-feira (21), procurou a delegacia de Belém, na mesma região, para recuperar roupas e documentos que estavam na casa que dividia com o secretário de Comunicação do município, Betinho Barros, mas não recebeu ajuda da Polícia Civil, afirmam os familiares. De acordo com o irmão da vítima, Remysson de Sá, ela foi orientada por policiais a conversar com a família do acusado para que a polícia não fosse envolvida, porque o secretário era uma pessoa pública.

    "Ela foi para Belém para tentar pegar os documentos dela e as roupas. Ela procurou a polícia de Belém, porém se recusaram a ajudá-la, mandaram ela procurar a mãe dele (Betinho Barros), por ele ser uma pessoa pública. E não queriam causar transtorno a ele e a gestão do município" , afirma o irmão da vítima.

    Betinho Barros, de 38 anos, era ex-vereador e secretário de Comunicação de Belém. Antes do feminicídio, o acusado perseguiu e ameaçou Rayssa de Sá através de telefonemas e mensagens de texto. Após matar a tiros sua ex-esposa, ele tirou a própria vida.

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    Através da assessoria de imprensa, a Polícia Civil da Paraíba informou que vai apurar supostas irregularidades por parte de algum servidor em todo o processo envolvendo Rayssa e Betinho.

    "A Polícia Civil adotou todas as providências para o caso, providenciando, inclusive, a Medida Protetiva uma semana antes que ela viesse a ser morta pelo ex-marido. Frise-se, ainda, que foi oferecido a Raysa um reforço em sua segurança, por meio da Patrulha Maria da Penha, mas ela preferiu não ser enquadrada no programa de proteção", informou a polícia.

    Acusado prometia acabar com as agressões, mas nada mudou

    Remysson de Sá explicou que a relação do casal começou tranquila, mas com o tempo foi evoluindo para agressões verbais até começarem as agressões físicas. A vítima decidiu pedir o divórcio e voltar para a casa dos familiares após uma agressão que a deixou inconsciente.

    A mãe de Rayssa, Denúbia de Sá, disse que a estudante fez várias tentativas para acabar o relacionamento com Betinho de Barros, mas ele ameaçava tirar sua própria vida e prometia que iria acabar com as agressões.

    “Ele fazia promessas, dizia que ia mudar, que (as agressões) não iam se repetir, mas foi ficando cada vez mais intenso”, afirmou a mãe.

    Rayssa cursava Direito na Universidade Estadual da Paraíba, no campus de Guarabira. A família da estudante acompanhava a vítima até ao local e nunca deixava ela sozinha em casa. Segundo a mãe de Rayssa, as ameaças se estendiam para dentro da instituição.

    “Quando ela começou a estudar, ele começou a dizer que ia para a faculdade ficar de olho nela, qualquer coisa matava ela lá”, relembrou a mãe.

     Família critica decreto de luto por acusado e velório na Câmara Municipal

    A Prefeitura do município de Belém, no Agreste da Paraíba, decretou luto oficial por três dias pela morte do secretário de comunicação. Em publicação divulgada no perfil oficial da prefeitura, a gestão municipal, representada pela prefeita Dona Aline, decreta luto "pela partida precoce e inesperada" de Betinho Barros e da vítima Rayssa Kathylle.

    Fonte: www.bananeirasonline.com