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  • 17.09.2016 - 18:28

    Suplente de Vené usa verba da Câmara para bancar mídia e posto de gasolina


    A chegada do suplente André Amaral à Câmara dos Deputados, assumindo o mandato de deputado federal por 120 dias em vaga aberta pelo ex-prefeito de Campina Grande, Veneziano Vital do Rego (PMDB), que justificou a licença para poder se dedicar à campanha municipal onde tenta retorno ao Palácio do Bispo, se deu por um ‘acordo de comadres’, como se costuma dizer em jargão nordestino.

    Na verdade, em se tratando de homens um ‘acordo de compadres’, ou de cavalheiros, como queira qualificar o leitor, longe o bastante de dar aos eleitores de ambos a certeza da real necessidade do pacto.

    Veneziano foi vice-campeão de votos, com 177.680 recebidos em todo o Estado, e André na outra ponta da história virou primeiro suplente do PMDB com apenas 6.652 sufrágios, a quase totalidade obtida em João Pessoa, onde mora.

    Como A PALAVRA revelou no começo de agosto Veneziano, assim como aconteceu com vários outros postulantes a cargos majoritários detentores de assento no Congresso Nacional, dentre os quais o irmão Vitalzinho que postulou o Governo do Estado e não largou o Senado; Rômulo Gouveia, por ele derrotado duas vezes sem que se licenciasse do Parlamento; Manoel Júnior em João Pessoa que é candidato a vice prefeito e continua deputado em Brasília, afora outros, na realidade quis fugir da sessão em que Eduardo Cunha, seu amigo/financiador/correligionário, estaria com a cabeça a prêmio, daí o “acordo” com o jovem pessoense.

    Agora, passados quase quarenta dias do mandato temporário de André Amaral, cristalinamente aparecem as provas de que houve entre ele e Veneziano um negócio, pura e simplesmente, com inegáveis prejuízos à representatividade paraibana no Planalto Central.

     

    SEM PREPARO

    O noviço parlamentar não está, de fato, preparado para tão magnânimo e honroso mister. E por ele falam os registros indesmentíveis dos anais da Câmara Federal.

    Vejamos:

    O primeiro - e curtíssimo - discurso do suplente em exercício do PMDB se deu no dia 10 de agosto, mas quem esperou por algo inovador e propositivo teve já aí uma enorme decepção. Amaral não usou a tribuna para agradecer o “gesto” de Veneziano e da sua legenda pelo espaço, nem historiar sua carreira na juventude peemedebista ou as agruras para conquistar votos em terra de tantas oligarquias, nem quais avançados projetos apresentará, mas para registrar o falecimento na capital paraibana do economista “Beleleu” (Josemar Tenório de Albuquerque), gesto nobre e solidário sem dúvidas.

     

    No dia 11 voltou a ocupar a tribuna e, também economizando a garganta, foi curto ao lembrar a data - Dia do Estudante.

    Em 25 de agosto foi olímpico e como um recordista usou a tribuna duas vezes na mesma tarde: uma para lembrar e homenagear os militares do Brasil pelo Dia do Soldado; a outra, merecedora de medalha, discorrendo sobre o legado dos jogos olímpicos 2016 para a cidade do Rio de Janeiro.

    E por último, no dia 30 fez uma exaltação ao presidente nacional da Juventude do PMDB, que assistiu ao discurso da tribuna de honra e o aplaudiu.

     

    MUDANÇA DE NOMES

    Como legislador André Amaral quis dar ao Brasil algo bombástico e o fez, mas há quem diga que objetivamente é um tiro no pé. Ou seja, a bomba estourando contra o seu currículo.

    Em 18 de agosto ele apresentou o Projeto de Lei 6001/2016, que acrescenta parágrafo ao art. 57 da Lei 6.015/73 para autorizar o enteado ou a enteada a adotar o nome da família do padrasto ou da madrasta, independentemente de autorização judicial.

    O PL foi protocolado, mas ainda aguarda na Comissão de Seguridade Social e Família (CSSF), para onde foi encaminhado, a designação de um relator.

    O entendimento do deputado para urgenciar tão iluminada propositura é de que o Judiciário precisa se poupar do acréscimo de atribuições, o que num primeiro momento se louvaria não fosse a censura que no mesmo parágrafo ele faz ao Poder, justificando que com o seu projeto o cidadão se livra “da morosidade do sistema judicial”.

    Ainda justificando o projeto, o substituto de Veneziano diz que a burocracia necessária para o acréscimo do patronímico, nesses casos, pode ser mitigada e que, sendo enteado e padrasto ou madrasta maiores e capazes, não se deve impor a chancela jurisdicional para a modificação.

    “A vontade das partes é suficiente para que o nome seja alterado”, joga ele a responsabilidade da tarefa para o oficial do registro, a quem a lei confere fé de ofício e à sua ótica está devidamente preparado “para fazer as vezes da Justiça”.

     

    AJUDANDO NA MÍDIA

    Uma bondosa parte do “acordo” entre Veneziano e André Amaral alcança o chamado COTÃO parlamentar, por onde mensalmente cada deputado brasileiro pode ser reembolsado em média com R$ 40 mil que gaste em viagens, hospedagens, escritório parlamentar nos Estados, publicidade, consultoria, alimentação, aluguel de carros e aeronaves etc..

    Causa surpresa, assim, que um desconhecido do povo de Campina Grande como o é o deputado-suplente permaneça pagando ao programa ‘Jornal de Verdade’, da Rádio Cidade, os mesmos R$ 15 mil/mês que o candidato a prefeito afastado do Congresso pagava para conceder entrevistas e divulgar as atividades, saltando aos olhos que a verba não é do seu usufruto.

     

    A AJUDA NA GASOLINA

    Mas é no combustível, embora o valor relativamente possa ser considerado baixo, que o acordo Veneziano/Amaral se mostra mais explícito e, por isso mesmo, não menos vergonhoso.

    De gasolina e óleo diesel André Amaral pagou ao Posto Presidente (Comercial de Combustíveis Nordeste Ltda.), localizado à rua João Suassuna, 579, centro de Campina Grande, e foi devidamente ressarcido pela Câmara dos Deputados no último dia 30, o total de R$ 3.001,03, correspondendo a conta a quase 800 litros de combustível.

    Considerando que o deputado assumiu para trabalhar na Capital da República e que sua residência continua sendo em João Pessoa, não seria nenhum exagero alguém que nele votou classificá-lo de ‘burro’ por abastecer seu carro a 120 quilômetros de onde mora.

    O detalhe, aliás intrigante detalhe, é que o posto por uma dessas coincidências nada coincidentes da vida, pertence ao avô e ao pai do candidato a vice-prefeito na chapa de Veneziano, o milionário e esfuziante jovem - bem sucedido empresário – Filipe Gaudêncio.

    Bondade assim leva necessariamente à frase que virou clichê na voz do vitorioso radialista Fabiano Gomes, campeão de audiência estadual ao meio dia: “Ô Paraíba boa!!!!”.

     

     

    Fonte:a palavraonline