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  • 26.09.2020 - 05:36

    Rifa para programa sexual com duas mulheres é investigada

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    Uma noite em um motel com uma dupla de garotas de programa era o prêmio principal de uma rifa que não chegou a ser sorteada no município de Janaúba na região Norte de Minas Gerais. Bilhetes da chamada “Rifa dos Sonhos” eram comercializados pela quantia de R$ 20 através das redes sociais, e a história ganhou repercussão enorme na cidade depois que uma blogueira fechou parceria com a organização do sorteio e recebeu R$ 500 para publicar detalhes da rifa em suas redes sociais. Contudo, o sorteio acabou cancelado logo que a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) instaurou um inquérito que investiga se o responsável por ele cometeu crime relacionado a exploração sexual.

    O depoimento do suposto organizador da rifa indica à polícia que ele arrecadou cerca de R$ 5 mil até o momento de suspensão do sorteio, e, à delegada Gessiane Soares Cangussu, o homem declarou que iria criar mais números para a “Rifa dos Sonhos” e vendê-los também a moradores de Montes Claros, tamanho o sucesso da venda de bilhetes em Janaúba. Ele não confessou ser o autor da rifa, mas tudo indica que seja ele o responsável pelo crime.

    “O inquérito está em andamento e, além da blogueira e deste suspeito que provavelmente é o mentor da rifa, ainda ouviremos outras testemunhas. Prostituição não é crime por si só, mas quem aproveita-se da prostituição alheia comete crime. É totalmente imoral rifar pessoas, pessoas não são mercadorias”, declarou a delegada na manhã desta quinta-feira (24). De acordo com ela, se indiciado, o homem poderá ser condenado a reclusão por até quatro anos.

    Blogueira recebeu R$ 500

    Entre as redes sociais, o WhatsApp e o Instagram foram as principais ferramentas usadas pelo autor da rifa para divulgá-la. O inquérito da Polícia Civil pôde ser instaurado depois que chegou para a delegada algumas das imagens que retratavam o canhoto da rifa. Intitulado “Rifa dos Sonhos”, o sorteio prometia “um programa, com duas acompanhantes dos sonhos, já com o motel incluído”. Cada bilhete garantia ao comprador dois números para participar da rifa que seria sorteada em 14 de outubro, venceria o primeiro prêmio da Loteria Federal naquela data. Através da propaganda da rifa, a delegada descobriu a existência de uma blogueira de Janaúba que estaria divulgando a rifa para seus seguidores.

    “Foi muito difundido no WhatsApp, nas redes sociais, vi em vários grupos da cidade. Nós queríamos apurar o crime de proveito da prostituição. Encontramos a blogueira e ela nos confirmou que um homem a tinha procurado oferecendo R$ 500 para que ela divulgasse a rifa. Se a rifa bombasse, ela receberia mais R$ 200. O impacto na cidade foi tão grande que ela ganhou os R$ 200 prometidos”, detalha. Em seu depoimento, a influenciadora apontou à polícia quem era o homem que a contratou para a divulgação. Ele também foi ouvido.

    Dinheiro para doação?

    Intimado pela delegada, o suspeito de ser o autor da rifa declarou que iria usar a quantia arrecadada para comprar cestas básicas destinadas a famílias do município de Janaúba. “Segundo ele, a famigerada rifa era para arrecadar dinheiro para pessoas carentes da região, comprar cestas básicas. Mas, a rifa não falava nada disso, então acreditamos que era para ele se beneficiar mesmo”, relata.

    O homem jurou ter devolvido o dinheiro dos compradores da rifa após a suspensão em função do inquérito policial. “Ninguém nos procurou para denunciar ter sido lesado, e nem vai. Quem compra esse tipo de serviço fica calado. Ninguém tem coragem de falar que comprou. Segundo esse suposto autor, ele devolveu o dinheiro para quem comprou”. O homem também teria dito que ia expandir as vendas para Montes Claros dada a grande procura pela rifa. Instaurado em 15 de setembro, o inquérito ainda ouvirá mais testemunhas para somente então ser concluído. Ainda não há data prevista. 

    com jornalalemparahyba.com.br