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23.04.2015 - 01:01
Petrobras tem perdas de R$ 6,2 bi com corrupção e prejuízo de R$ 21,6 bi
A Petrobras (PETR3, PETR4) calculou em R$ 6,194 bilhões as perdas com pagamentos indevidos descobertos pelas investigações da Operação Lava Jato, da Polícia Federal. A estatal também reduziu o valor de seus bens em R$ 44,3 bilhões, após ter reavaliado uma série de projetos, principalmente a Refinaria Abreu e Lima e o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj).
Com isso, a empresa registrou um prejuízo de R$ 21,587 bilhões em 2014, em comparação comlucro de R$ 23,57 bilhões obtido em 2013. O prejuízo foi de R$ 5,339 bilhões no terceiro trimestre e de R$ 26,6 bilhões no quarto trimestre do ano passado.
O cálculo das perdas com corrupção foi baseado em informações da investigação do Ministério Público Federal, segundo a empresa.
A estatal divulgou nesta quarta-feira (22) os resultados do terceiro e do quarto trimestre do ano passado, auditados pela consultoria PricewaterhouseCoopers (PwC). A apresentação foi feita após reunião do Conselho da estatal, na tarde desta quarta, e foi seguida por entrevista coletiva com a imprensa.
O relatório foi aprovado sem ressalvas pela auditoria, segundo o presidente da Petrobras, Aldemir Bendine. Ele afirmou que, a partir de hoje, a companhia voltou a garantir a credibilidade no relacionamento com acionistas e credores.
Está prevista para quinta-feira, às 11h, uma teleconferência com investidores.
A Petrobras é o principal alvo de denúncias de corrupção na Operação Lava Jato, da Polícia Federal. Mais cedo, a Justiça Federal do Paraná condenou o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, o doleiro Alberto Youssef e outras seis pessoas por crimes como lavagem de dinheiro e por pertencerem a organização criminosa, dentro do processo sobre desvios de recursos na estatal.
Empresa não deve pagar dividendos
No balanço, a empresa não programou nenhum dinheiro para pagar remuneração aos seus acionistas em relação ao ano de 2014. Os divididendos são a distribuição dos lucro da empresa com os detentores de ações.
Até a divulgação do balanço não auditado do terceiro trimestre, a estatal acumulava lucro de mais de R$ 13 bilhões ao longo do ano. No entanto, com a revisão dos resultados para incluir perdas com a corrupção, não "sobrou" lucro para ser distribuído entre os acionistas.
Quem tem ações da Petrobras, no entanto, não deve se preocupar com isso agora. Segundo arecomendação de analistas, ações são investimentos de longo prazo, e deve-se considerar o retorno oferecido ao longo dos anos.
Balanço foi adiado duas vezes
A divulgação tinha sido adiada por duas vezes. Um dos motivos dessa demora foi a dificuldade de definir uma metodologia para calcular o tamanho das perdas com corrupção.
Em novembro, a Petrobras chegou a divulgar os resultados operacionais do terceiro trimestre; em janeiro, publicou os dados financeiros relativos a esse período, mas sem contabilizar desvios com corrupção e sem a aprovação da auditoria. Os dados do quarto trimestre ainda não tinham sido apresentados.
Se o balanço não fosse divulgado, os credores poderiam pedir o pagamento antecipado de dívidas da estatal.
Mudanças na diretoria e cortes de investimentos
A crise na estatal custou o cargo da ex-presidente da empresa Graça Foster, e de outros cinco diretores, que renunciaram em fevereiro. Foster foi substituída pelo então presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine.
A empresa também anunciou, no início de março, um plano de "desinvestimento", com a intenção de vender algumas unidades e levantar US$ 13,7 bilhões entre 2015 e 2016. A empresa afirmou que os ativos do pré-sal não estão incluídos na proposta.
Em meio ao escândalo de corrupção, a Petrobras teve sua nota de crédito cortada por agências de classificação de risco e passa por dificuldades para obter financiamentos com condições interessantes.
Para analistas, balanço não deve afetar ação nos EUA
Segundo analistas e advogados que acompanham o caso, a divulgação do balanço da Petrobras é um passo importante para a recuperação de confiança na companhia, mas não deve afetar abatalha jurídica que a estatal enfrenta nos Estados Unidos.
Para os analistas, os efeitos do escândalo de corrupção vão continuar repercutindo na empresa e em suas parceiras envolvidas, afetando as atividades na exploração de petróleo e gás.
Nos EUA, a Petrobras é acusada de divulgar informações falsas sobre suas operações e omitir dos investidores as denúncias de corrupção.
A ação se refere apenas a investidores que compraram os papéis da empresa nos Estados Unidos. Como a legislação que regula o mercado financeiro é muito diferente no Brasil, um processo como esse não poderia ocorrer aqui.
(Com agências de notícias)
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