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  • 28.12.2016 - 17:03

    No restaurante Gulliver, PMDB de Zé Maranhão faz festa com a presença de Cássio


     Por Marcos Maivado Marinho

    Feito coveiro, que não se importa com o que ou quem está enterrando, coube hoje ironicamente a Cássio Cunha Lima, do PSDB, botar a última pá de terra sobre o que restou do corpo estraçalhado em que se transformou nos últimos meses o PMDB paraibano.

    E em se tratando de coveiro a ironia pode ser explicada por um detalhe igualmente fúnebre: o suspiro derradeiro do outrora combativo partido aconteceu no mesmo local onde quase duas décadas atrás Ronaldo Cunha Lima, o pai-poeta do senador, que à época ainda era filiado à legenda, meteu balas no governador Tarcísio de Miranda Burity. 

    O cheiro de sangue no restaurante Gulliver eu acredito que ainda exista. Mas Cássio não o sentiu, atraído que foi para o covil pela esperteza também fúnebre do presidente estadual José Targino Maranhão, seu inimigo mortal de dias atrás. 

    Deu-se à efeméride no Gulliver o nome de ‘confraternização do PMDB’, embora cenário e atores presentes indiscutivelmente formassem um quadro de velório, não tanto pela idade provectamente chorosa de grande parte deles, mas especialmente pela mistura assentada no local e onde sequer faltou um reverendo - mesmo que de igreja genérica - para a missa de corpo presente, tarefa dada ao bispo da Igreja Católica Brasileira, Dom Julio Paiva, aquele que patrocinado por Maranhão em emissoras de rádio de sua propriedade ou de prepostos seus passou a vida toda chamando de “rato” (ladrão) o senador-coveiro. 

    Eu quero acreditar que todo esse circo surpreendente foi armação mesmo do velho senhor de Araruna, hoje um “manipulado” por Cássio, na conformidade dos olhos meios vesgos de boa parte da população paraibana. 

    Porque, ao que se percebe, quem morreu foi o PMDB; nunca o seu presidente. 

    Aquele PMDB de Ulysses Guimarães, que não se dobrava nem a generais. 

    Aquele de Humberto Lucena, que tinha a marca da conciliação. 

    Aquele de Raymundo Asfóra, de João Agripino, de Aluizio Campos, de Antonio Mariz... 

    Onde a tolerância tinha cadeira cativa e o respeito às individualidades era dogma. 

    Morreu hoje, sim, o PMDB que Maranhão chamava de seu e que na praça pública, um por um, filiados com mandato eram chamados de traidores, de golpistas, de praticantes do crime de lesa-Pátria. 

    O PMDB que fez festa no Gulliver botando Cássio para sentar na cadeira onde o sangue de Burity manchou a honra do seu saudoso genitor está, sim, morto e sepultado embora a assertiva de ter virado zumbi permita apostar-se que continuará a fazer zoada por aí. Mas sem gás, sem força, sem musculatura... 

    À missa de sétimo dia é bem provável que metade dos que compareceram a esse velório do Gulliver já esteja em busca d’outros mares, sobretudo aqueles não filiados como alguns ilustres jornalistas - Helder Moura, padre Albeni Galdino - ou ex-políticos de boa verve e língua afiada como o notório Gilvan Freire, por exemplo, que ali mesmo ajudou Ronaldo a fugir omitindo-se de socorrer Burity. E até mesmo ex-senador como Roberto Cavalcanti, eterno saudosista daquele tapete azul do Congresso Nacional. 

    A “confraternização do PMDB” foi iluminada também por Rômulo Gouveia (PSD) e pelo filho-deputado de Cássio, o jovem Pedro, que certamente pensou em declamar rimas imitando o avô, como aprecia fazer em rodas de amigos, mas não encontrou clima para tal impetuosidade, no que sem querer acertou em cheio. 

    Blogs e portais da Capital relatam, entretanto, um tal de “clima amistoso” no encontro, eis que o mesmo serviria para manter unidas as oposições a Ricardo Coutinho, visando destroná-lo em 2018 e destruí-lo politicamente. 

    O único esquecimento se dá com uma certeza - a de que Zé Maranhão, repita-se, não morreu. 

    Raposa velha, escorregadio nas artimanhas do imbróglio feito quiabo em boca de nordestino, nunca é demais imaginar que deitar Cássio e o filho na cena em que o pai se tornou criminoso é realmente coisa de estrategista. 

    Aliás, tomando a frase com que o querido Tião Lucena me identifica, um “maivado” estrategista. 

    Porque hoje ele destruiu o PMDB para estar com Cássio... E amanhã?

    Cartas para a redação! (apalavraonline)