Notícia > Política
-
07.10.2015 - 09:44
Ex-senador paraibano e filho deputado estão na mira da Lava Jato
O imenso iceberg da corrupção começa a emergir das profundezas, onde habitou por muitas décadas, arrastado pela força gigantesca da Operação Lava Jato, para revelar como obscuras figuras desse país alcançaram poder e fortuna em espaço de tempo relativamente curto. Muitas delas oriundas de rincões distantes desse imenso país de onde saíram puxando uma cachorrinha, como costuma observar a ironia popular, para, hoje, ostentarem uma opulência que o trabalho digno jamais ofereceria.
Para quem trabalha dignamente formar um patrimônio leva anos de esforço e de muita economia, além de renúncias e de apertos diferentemente dessas personalidades da política que, da noite para o dia, aparecem esnobando em carros luxuosos e residindo em mansões, além de outras demonstrações de opulência, que causam inveja e admiração aos mortais comuns, submetidos aos dissabores da mediocridade.
Jamais uma investigação desnudou tanto a intimidade do poder como essa Lava Jato que pode se transformar num divisor de águas mostrando a sociedade brasileira quem são os verdadeiros responsáveis pelos absurdos que jogaram e jogam esse país em crises intermináveis e nunca verdadeiramente explicadas.
Despois de pegar a raia miúda encastelada em pontos chaves da administração públicas das diversas esferas de poder colocadas nelas por comparsas poderosos e influentes, a Lava Jato agora caminha célere em direção ao núcleo da corrupção. O andamento das investigações aponta para o Congresso Nacional aparentemente coito de verdadeiras quadrilhas organizadas e bem organizadas para assaltar os cofres públicos.
Como se pode ver, os tentáculos dessa gigantesca organização criminosa se estendem por todo país para sugar o sangue dos brasileiros em verdadeiras operações de assalto que o Ministério Público vem identificando com rigor técnico para que os sabichões não consigam se desvencilhar lá na frente bem antes de sentarem diante do juiz.
Um desses privilegiados dessa vida suntuosa que a política oferece é o ex-senador Wilson Santiago, presidente estadual do PTB da Paraíba, e seu filho o deputado federal Wilson Filho. Eles estão sob investigação da operação Lava Jato, segundo matéria publicada pela revista Época, numa triangulação que envolve o presidente do Senado, Renan Calheiros.
Segue o texto, na íntegra:
Renan Calheiros é investigado por lavagem de dinheiro em Maceió
O Residencial Pátio fica numa viela em uma área industrial de Maceió, em Alagoas. Em seus pilares, a Receita Federal encontrou indícios de que o presidente do Senado, Renan Calheiros, do PMDB de Alagoas, participou de uma operação de lavagem de dinheiro. Uma transação imobiliária entre Renan e o ex-senador Wilson Santiago, seu correligionário no PMDB e hoje diretor de relações institucionais do Grupo Banco do Brasil/Mapfre, chamou a atenção da Receita. Alertada pelos auditores, a Procuradoria-Geral da República remeteu as informações aos procuradores que investigam Renan na Lava Jato. Os procuradores investigam agora a compra e venda de quatro apartamentos do prédio por Renan – e como eles foram parar nas mãos de Santiago, seu filho, o deputado federal Wilson Filho, e seus dois irmãos.
VERSÕES
Foi investigando uma empresa que Renan transferiu para sua mulher, Verônica, que a Receita chegou à transação suspeita. A Tarumã Empreendimentos Imobiliários, criada após a eleição de 2010 para "administrar a compra e venda de imóveis próprios ou de terceiros", ficou aberta por apenas nove meses. Renan esteve entre os sócios por cinco, passando suas cotas para Verônica em julho de 2011. A Tarumã, aparentemente, não realizou negócio algum. Aparentemente. No cruzamento que a Receita fez entre declarações do Imposto de Renda e dados sobre suas atividades imobiliárias, os negócios apareceram. Os procuradores querem saber de onde veio o dinheiro que permitiu a compra dos imóveis em Maceió e se Renan realmente os comprou antes de revendê-los para a família Santiago.
A suspeita de que Renan tenha lavado dinheiro na negociação dos apartamentos se reforça com a atrapalhada resposta dos Santiagos sobre a compra dos imóveis. O deputado federal Wilson Filho é proprietário de uma das unidades que pertenceram a Renan. Em 13 de julho de 2011, Wilson Filho fez uma transferência bancária de R$ 60 mil para uma conta da Caixa Econômica Federal. Em 11 de agosto, outros R$ 60 mil foram depositados. Nesse período, a Tarumã ainda estava aberta. Procurado por ÉPOCA, Wilson Filho ofereceu quatro versões distintas sobre a transação. Primeiro, disse que a empreiteira da família, a Terradrina Construções, tinha comprado os imóveis. Depois, afirmou que tinha adquirido o imóvel para veraneio em Maceió – mas o prédio fica a 15 quilômetros do litoral. Em seguida, garantiu que a operação tinha sido um investimento. Por fim, o deputado disse que o negócio foi feito por seu pai e que só tinha tomado conhecimento depois que fora agraciado com o apartamento.
Wilson Santiago é um antigo aliado de Renan, que o indicou para o recém-criado cargo de diretor de relações institucionais do Banco do Brasil/Mapfre. Também coube a Renan garantir o lugar de Wilson Santiago na Mesa Diretora do Senado durante sua breve passagem pela Casa. Procurado, Renan Calheiros disse que "não comentaria a transação, pois se trata de um negócio particular". Fonte: Jampanews/Época