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06.07.2026 - 12:54
Confederação Nacional da Indústria alerta para impacto de tarifaço dos EUA em 4,1 mil produtos
Donald Trump, presidente dos EUA
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou nesta segunda-feira (6) que cerca de 4,1 mil produtos exportados pelo Brasil para os Estados Unidos podem ser impactados caso o governo americano implemente o tarifaço sugerido pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR). A estimativa abrange um total aproximado de US$ 14,9 bilhões em exportações.
O alerta surge no início das audiências públicas nos EUA, que discute o possível aumento das tarifas sobre produtos brasileiros. O prazo para que Brasil e Estados Unidos negociem um acordo termina em 15 de julho. As autoridades brasileiras afirmam estar trabalhando intensamente para alcançar um entendimento.
O USTR justifica a proposta alegando que o Brasil pratica ações econômicas injustas contra empresas americanas em setores como PIX, etanol, desmatamento e propriedade intelectual. Entretanto, o governo brasileiro rejeitou formalmente essas acusações em documento enviado recentemente.
Entre os produtos que podem sofrer a cobrança adicional estão ferro-gusa não ligado, açúcar bruto, álcool etílico, molduras de madeira e hidróxido de alumínio. A CNI ressalta que a aplicação de uma tarifa extra de 25% não possui fundamentação jurídica, econômica ou estratégica.
O presidente da entidade, Ricardo Alban, declarou: “A imposição de uma tarifa adicional de 25% não se justifica sob o aspecto jurídico, econômico e estratégico. A CNI defende que o diálogo e a cooperação bilateral são o caminho mais adequado para preservar uma relação sólida entre os dois países.”
Audiências públicas e negociações em curso
O governo brasileiro optou por não discursar nas audiências públicas realizadas a partir desta segunda-feira em Washington, mas enviará representantes como observadores. O Ministério das Relações Exteriores informou que considera esse ambiente inadequado para negociar e prioriza as conversas técnicas e de alto nível que vêm ocorrendo nas últimas semanas.
Na semana anterior, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, conversou com Jamieson Greer, representante do escritório comercial dos EUA. Novas reuniões estão previstas para breve.
Durante os encontros, o Brasil apresentou uma proposta para tratar os seis pontos levantados pelos EUA, mas ainda não recebeu um retorno formal. Com o prazo de 15 de julho se aproximando, o governo brasileiro destaca a relevância da relação comercial entre os países e as ações de combate ao desmatamento como argumentos para evitar o tarifaço.
Fontes do Palácio do Planalto e do Itamaraty avaliam que a recomendação do USTR tem mais motivação política, desconsiderando argumentos técnicos já apresentados. Eles indicam que os documentos iniciais da investigação, de julho de 2025, e a recomendação de junho de 2026 são quase idênticos.
Integrantes do governo, sob reserva, mencionam não acreditar numa reversão total do tarifaço, mas consideram possível uma redução ou concessão de exceções.